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25 de Setembro de 2017

Direita e esquerda: a evolução das definições.

Joao Roberto Lo Turco Martinez, Professor
há 16 dias

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O termo “direita e esquerda” surgiu durante a Revolução Francesa de 1789, na qual os defensores do Absolutismo (status quo) se sentavam à direta do rei e os defensores da revolução e de um novo status (os burgueses apoiados pelos camponeses) se sentavam a esquerda do rei. Assim, esquerda e direta começaram a se desenvolver no sentido de favorável a um status atual (direita) e contrários a essa configuração (esquerda). Se o conceito puro fosse empregado nos dias atuais, diríamos que no Brasil em 2013 a direita era o Partido dos Trabalhadores (situação) e a esquerda a oposição.

Conforme a revolução empreendeu sucesso, os burgueses dominaram a política e a economia e ampliaram seus empreendimentos, impulsionados pelas revoluções industriais e abertura comercial e econômica e se tornaram o status dominante, sendo seus fornecedores de fatores de produção (principalmente o trabalho – os trabalhadores) aqueles que queriam uma nova situação que lhes fossem mais favorável.

Desta forma, os burgueses outrora classificados como esquerda, agora o são como de direita e, como estes defendem uma situação de não intervenção do Estado na vida particular e econômica, sendo seu contraposto os trabalhadores, que defendem uma maior atuação do Estado, provendo e regulando esta atividade em prol de melhoras para os trabalhadores das fábricas, surgem os trabalhadores como a “esquerda” que defendem o intervencionismo e, em alguns casos o total planejamento pelo Estado (o socialismo).

A conotação direita e esquerda se torna então, não mais apenas de situação e oposição, pois adota fortemente um componente econômico e tem relação com o desejo de intervenção do Estado na atividade econômica, podendo, apesar dos erros graves de classificação, ser agrupada em polos radicais como direita, que defende o liberalismo de Adam Smith e esquerda que defendo o socialismo de Karl Marx e, em intersecções menos radicais em esquerda moderada que defende as políticas de intervencionismo econômico de Keynes, nas bases do Estado de bem-estar social (Estado Provedor) e direta moderada em um Estado Regulador (Neoliberalismo), no qual continua a atividade privada e a livre iniciativa tendo preponderância e preferência sobre a pública, porém, em áreas de necessidade, segurança e utilidade pública o Estado pode regular, seja por meio de objetivos, incentivos, normas ou até participação em igualdade com o particular.

Porém, com o tempo, nos dias atuais, com a fragmentação de visões políticas e diversos movimentos sociais, as visões econômicas foram associadas (muitas vezes de modo errado e falacioso) com visões de posições sociais. Ou seja, enquanto se discutia se devemos pedir (esquerda) ou se repudiar (direita) a intervenção do Estado em esferas de atuação econômica, começaram a classificar sob o mesmo enfoque (direita e esquerda) a atuação do Estado em relação à vida privada, familiar e social do indivíduo para, ou ser ausente totalmente (partindo do pressuposto de responsabilidade plena individual, racionalidade e ajustamento mútuo, próximo aos conceitos de Anarquismo), ou presente totalmente (partindo do pressuposto de que o coletivo sempre deve ser imposto e determinado, seja por meio de pressupostos de racionalidade de decisões coletivas ou por meio de decisões de representantes que se acham dotados de total racionalidade para ser mandatários do coletivo, dando base para o autoritarismo ditatoriais ou totalitarismos ideológicos).

Destarte, as visões se fragmentaram em muitas e hoje a direita e a esquerda podem ser divididas em eixos, sendo os mais comuns dividi-las em eixos econômicos e sociais, sendo os extremos econômicos o socialismo (esquerda) e o liberalismo (direita) e sendo os extremos políticos o Libertarismo (direta liberal - ou no ângulo extremo o capitalismo anárquico - e a esquerda liberal ou no extremo esquerda anarquista) e o Autoritarismo (direita conservadora - sendo seu extremo a ditadura autoritária como de Pinochet no Chile– ou a esquerda autoritária, que no extremo, se transforma em totalitarismo como o de Kim Jong-un na Coréia do Norte).

Podemos observar que, resumir esquerda e direita dentro de “pacotes” podem resultar em graves problemas, seja os mais simples (discussões, falta de aprendizado, etc.) aos mais complexos (reduzir grandes diferenças e concordâncias em prol do que poderia ser bom para a sociedade em posições radicais, ineficientes e excludentes – quando não, violentas).

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